Theatro Municipal apresenta montagem inédita de “Tosca”, de Puccini

Depois de “Jenufa”, “Norma”, “Carmen” e o balé “Carmina Burana”, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro encena um dos mais amados títulos do repertório lírico: “Tosca”, de Giacomo Puccini. O espetáculo segue a linha dramatúrgica da temporada 2017, “Mulheres Trágicas”. A ópera em três atos, uma das obras mais célebres do compositor italiano, estará em cartaz entre os dias 22 e 29 de setembro, com patrocínio ouro da Petrobras.

Esta montagem, com direção cênica de André Heller-Lopes, baseia-se na versão criada pelo brasileiro em Salzburgo, em 2010. A cenografia é dominada por uma grande imagem sacra barroca, de quase 10 metros, inspirada na Crucificação de Aleijadinho — um toque de Brasil que o diretor levou para a Áustria. A montagem contará com a regência do maestro Marcelo de Jesus, diretor do Festival Amazonas de Ópera, e com elenco de grandes cantores latino americanos, encabeçado pela aclamada Eliane Coelho e pela chilena, radicada na Espanha, Macarena Valenzuela. Em cena, também, dois destacados tenores brasileiros Eric Herrero e Juremir Vieira, além do baixo-barítono cubano Homero Perez-Miranda e do brasileiro Murilo Neves. Completam o elenco Ciro D’Araujo, Geilson Santos e Fabrizio Claussen, artistas do coro do TMRJ. A montagem carioca apresenta ainda figurinos criados por Marcelo Marques, amplamente reconhecido por seu trabalho no teatro e na ópera.

– Da primeira vez que fiz “Tosca”, em 2010, para agora acho que certos pontos centrais da minha concepção mudaram, amadureceram mesmo. Além disso, ao dirigir “Tosca” então, em Salzburgo, eu não tinha como ignorar toda a estética à minha volta; seja enquanto estilo de encenação ou mesmo a relação com a religião. Na Áustria, assim como todo sul da Alemanha, há uma religiosidade, basicamente católica, muito diferente da Latina, esta mais próxima da nossa, brasileira, ou da Roma de 1800, época e lugar onde se passam a ópera. Basta dizer que a catedral ‘original’ em Salzburgo era toda branca numa referência às belíssimas igrejas barrocas da região. Agora, mergulho mais a fundo nos jogos de claro, escuro e ouro, hipnotizantes, que tornam as igrejas de Roma tão especiais – comenta o diretor André Heller-Lopes.

“Tosca” é uma das óperas mais contundentes do repertório operístico mundial. Um enredo trágico, envolvendo religião, desejo, política e assassinato, culminando numa das maiores cenas finais de toda a história da ópera. Sua estreia se deu em Roma, em 1900, e sua história se passa na mesma cidade, 100 anos antes. A Ópera foi um sucesso imediato de público, sendo desde então uma das mais apresentadas em teatros do mundo todo. De fato, segundo o site “Opera Base”, “Tosca” foi a quinta ópera mais apresentada dos últimos anos, logo atrás de “La Bohème”, do mesmo compositor. A respeito de sua concepção, o diretor André Heller-Lopes destaca:

– Não estamos falando de uma exata recriação de Santa Andrea della Valle, em Roma, ou do Palazzo Farnese: mas sim de um mergulho nesta atmosfera. Minha visão de “Tosca” permanece basicamente clássica, na época certa das guerras napoleônicas, porém agora vista como um poderoso thriller. Se fosse buscar uma referência moderna e popular para o clima de “Tosca”, falaria de alguns filmes de Hitchcock ou, mais recentemente, do suspense religioso de Código Da Vinci — porém sem chance de final feliz. Neste mundo de religião e poder o destino de três pessoas é manipulado. São todos mártires inacabados tal qual a imensa estátua de 10 metros que domina a cenografia – acrescenta Heller-Lopes.

Para os papéis principais, Heller conta que queria trazer para o palco do Municipal nomes que já foram aclamados por “Tosca” em outros teatros do mundo, para dar oportunidade ao público carioca de assistir ao melhor que o mundo da ópera tem a oferecer. Seguindo a linha definida em nossas outras temporadas de 2017, os preços foram pensados para tornar a ópera acessível a todos. Além da prática de preços em geral mais baixos do que os das temporadas passadas, com ingressos a preços máximos de R$80 a inteira, haverá novamente uma apresentação inserida na série Domingo a R$1.

– É um enorme prazer entregar ao publico uma das obras mais conhecidas de Puccini, em uma montagem inédita no Brasil, reconhecida internacionalmente. Fiz questão de garantir um dia de “Tosca” ao preço popular de R$ 1. Meu propósito à frente do Theatro Municipal é democratizar expressivamente o acesso do público aos espetáculos – aponta André Lazaroni, presidente do Theatro Municipal e Secretário de Estado de Cultura.

SERVIÇO

“Tosca”, de Puccini

Elenco principal por récita:

22, 24 e 27 de setembro: Eliane Coelho, Eric Herrero e Homero Perez-Miranda

23 e 29 de setembro: Macarena Valenzuela, Juremir Vieira e Homero Perez-Miranda

Datas: 22, 23, 27 e 29 de setembro às 20h.
24 de setembro às 17h. (Domingo a R$1)
Lotação: 2226 lugares
Duração: 2h30
Classificação: Livre

Plateia e Balcão Nobre: R$ 80
Balcão Superior: R$ 60
Galeria: R$ 30

Ingressos dos dias 22, 23, 27 e 29 de setembro à venda na bilheteria do TMRJ e pelo site: https://www.ingressorapido.com.br
Ingressos para o dia 24 de setembro à venda na bilheteria apenas no dia do espetáculo.
Horário da bilheteria: Segunda a sexta, sábados, domingos e feriados – 10h às 18h. Nos dias de espetáculos, das 10h até a hora do início da apresentação.