Festa Literária da Serra Imperial homenageia Machado de Assis

De 30 de agosto a 02 de setembro, o Museu Imperial, unidade do Instituto Brasileiro de Museus do Ministério da Cultura, recebe a 2° Edição da Festa Literária da Serra Imperial, a FLISI, idealizada pelo Instituto Oldemburg de Desenvolvimento. Este ano a Festa percorrerá diversos espaços culturais da cidade como o Centro Cultural Raul de Leone, a Casa da Educação Visconde de Mauá e a Casa Stefan Zweig. As inscrições para o evento são gratuitas e podem ser feitas até hoje, dia 15 de agosto, no site www.flisi.com.br.

Como aconteceu na sua 1a. edição, a Festa Literária da Serra Imperial continuará focada no tema “Memória” e contará com a presença de autores reconhecidos nacionalmente, como Ruy Castro, Heloisa Seixas, Clóvis Bulcão, entre outros. A curadoria da FLISI é de Cristina Oldemburg e de Guiomar de Grammont, coordenadora do Fórum das Letras de Ouro Preto e professora da Universidade Federal de Ouro Preto. As curadoras reuniram um time de peso, celebrando o universo da literatura, da história, da memória e das artes durante os quatro dias do evento. Aliás, uma característica da FLISI é justamente a de não se restringir ao universo das letras, ampliando a percepção do público para as férteis relações da literatura com outras formas de comunicação.

Este ano o homenageado da Festa será Machado de Assis, celebrando os 120 anos da Academia Brasileira de Letras. O imortal Antonio Carlos Secchin abre a noite, no dia 30 de agosto, às 19h, no Cine Teatro Museu Imperial, com a palestra “Traindo a Tradição: Machado de Assis e Dom Casmurro”, onde serão apresentados os principais argumentos “contra” e a “a favor” de Capitu ao longo do tempo.. Além da palestra, será inaugurada a exposição “A Serra Imperial de Machado de Assis e seus melhores poemas” com fotos do acervo da Biblioteca Nacional associadas às poesias do grande escritor. Às 20:30h, Secchin participará de sessão de autógrafos.

Dentro das comemorações do centenário de Antônio Callado, o escritor será homenageado na FLISI com a inauguração de uma Sala de Leitura, com 1000 livros novos, na Casa da Educação Visconde de Mauá e com a exposição “Quarup”, que revive o mágico romance sobre os índios do Xingu. Também na Casa da Educação, a Festa Literária homenageará o educador Paulo Freire, que revolucionou a pedagogia com seu método de despertar a consciência crítica dos alunos, onde será lançada a sua biografia com a presença esposa e autora – Nita Freire.

No dia 01, o Instituto Oldemburg de Desenvolvimento lança, com exclusividade, o livro “Viagem ao Brasil”, que conta a história do austríaco Franz Joseph Frühbeck. Inspirado na publicação Franz Frühbeck’s Brazilian Journey, dos autores Robert Smith e Gilberto Ferrez, a obra, inédita, é uma crônica que retrata, através do olhar do jovem viajante Frühbeck, o dia a dia, os bastidores da viagem que ele fez a bordo do navio português D. João VI, onde viajava D. Leopoldina quando veio da Europa para se casar com D. Pedro I. Para falar sobre o livro, a Mesa: D. Leopoldina, princesa do Brasil, terá os seguintes convidados: o diretor do Museu Histórico Nacional, Paulo Knauss, a historiadora Maria Isabel Lenzi, o biógrafo Clóvis Bulcão, a doutora em história social Patrícia Souza Lima e a pesquisadora Claudia Maria Souza Costa.

Muito importante também será o lançamento do livro “Diário do Conde d’Eu”. O historiador Rodrigo Goyena Soares descobriu o diário íntimo do Conde d´Eu, escrito de março de 1869 até abril de 1870, o último ano da Guerra do Paraguai. O documento estava quase esquecido no Arquivo Histórico do Museu Imperial de Petrópolis. Ele fez a transcrição e uma tradução primorosa do original em francês para o português, anotando o texto meticulosamente. O lançamento do livro será acompanhado da Mesa: “Herói de guerra ou vilão sanguinário? O Conde d’Eu, a Guerra do Paraguai e a política imperial”, com os convidados Rodrigo Goyena Soares, Ricardo Salles, e mediação de Maria de Fátima Argon e Bruno Tamancoldi. A palestra buscará revisitar o lugar do Conde d’Eu na Guerra do Paraguai e, igualmente, propor respostas às controvérsias historiográficas sobre este personagem ainda pouco conhecido do grande público.

No último dia de evento, com mediação de Lara Sayão, a FLISI convidou os escritores Ruy Castro, Heloísa Seixas e Clóvis Bulcão para Mesa “A Memória como fonte para a ficção e a não ficção”. Conversa entre três escritores que transitam entre a ficção e a não ficção a partir da memória. Enquanto Clóvis Bulcão e Ruy Castro escrevem biografias e livros de reconstituição histórica, Heloisa Seixas é autora de romances e contos. Só que, no caso do casal Ruy Castro e Heloisa Seixas, às vezes, os papéis se invertem e eles se metem na seara um do outro. Os três irão conversar com o público sobre os prazeres e os desafios da escrita, bem como, sobre as diferenças entre biografia e memória, e entre ficção e não ficção. O espetáculo teatral “Um Sarau Imperial”, faz a despedida da FLISI com dramatização interativa de uma atividade típica de lazer do século XIX. Embalado por modinhas imperiais cantadas por uma soprano e acompanhadas ao piano, o público assiste e participa com canções, declamação de poesias e conversas sobre assuntos sociais, econômicos, políticos e culturais da época, retirados da correspondência particular da família imperial. Conta com as personagens históricas Princesa Isabel, Condessa de Barral, Baronesa de Loreto, Francisca Taunay e Adelaide Taunay.

Para Cristina Oldemburg, a realização da Festa Literária da Serra Imperial se configura, mais uma vez, como instrumento vivo de mobilização cultural em prol do livro e da literatura nacional na Região Serrana do Estado do Rio. “A FLISI, além de incentivar o participante a conhecer novos escritores, estimula o pensamento crítico, por meio de palestras, debates, exposições, encontro com artistas e lançamentos literários, valorizando a comunidade cultural da região e impulsionando a cultura e a economia criativa do entorno de Petrópolis. A primeira edição da FLISI foi um sucesso e, com certeza, essa segunda edição também será, não só pela qualidade dos convidados, mas pela importância da cidade no contexto histórico e cultural do país. A FLISI 2017 é sobretudo um instrumento de valorização da memória cultural e histórica do país, na convicção de que, sem uma visão do passado, não se pode compreender o presente nem construir o futuro”, fala Cristina.

De acordo com Maurício Vicente Ferreira Jr., Diretor do Museu Imperial, a “Festa Literária da Serra Imperial é um convite à reflexão sobre as dimensões da História e da Memória a partir da relação do indivíduo com a literatura. Assim, o Museu Imperial amplia seu público, bem como a oferta de oportunidades para a fruição do acervo histórico e artístico sob sua responsabilidade.” A programação da FLISI vai acontecer de forma simultânea em vários pontos da cidade imperial. Todas as atividades, como exposições, palestras, debates, apresentação de coral, entre outras, são gratuitas e abertas ao público.

Cristina Oldemburg e Maurício Vicente Ferreira Jr (Foto: Divulgação)

Programação da FLISI:

Dia 30 de Agosto | 4ª Feira | Local: Cine Teatro Museu Imperial

19h Abertura da Festa Literária da Serra Imperial –Traindo a tradição: Machado de Assis e Dom Casmurro’ (Homenagem a Machado de Assis nos 120 anos da ABL. Palestrante convidado: Antônio Carlos Secchin. Autógrafos do convidado e brinde de honra)

Machado de Assis foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras em 1897 e, até sua morte em 1908, presidiu a instituição. O primeiro romance que publicou após a fundação da ABL foi Dom Casmurro em 1900, uma de suas obras mais famosas. A crítica de Dom Casmurro sempre se ocupou da questão do suposto adultério de Capitu, o que é considerado um eixo fundamental do livro. A personagem, adúltera ou não, é um tema que até hoje provoca paixões e divide opiniões. Na palestra, serão apresentados os principais argumentos “contra” e “a favor” de Capitu ao longo do tempo, e será proposta uma alternativa que procura redimensionar o problema, levantando uma hipótese até então desconsiderada.

 

Dia 31 de Agosto | 5ª Feira 

11h – Inauguração da exposição ‘A Serra Imperial de Machado de Assis e Seus Melhores Poemas’ (Local: Centro Cultural Raul de Leoni)

13h30 – Apresentação do coral ‘As Jovens Princesas de Petrópolis’, com regência de Rodrigo D’Ávila (Local: Casa da Educação)

14h – Inauguração da Sala de Leitura Antônio Callado e abertura da exposição ‘Quarup’, baseada na obra do autor (Local: Casa da Educação)

15h – Visita guiada à exposição ‘A Serra Imperial de Machado de Assis e Seus Melhores Poemas’ (Local: Centro Cultural Raul de Leoni)

16h – Exposição ‘Casamentos e Relações Dinásticas no Brasil Imperial’ e visita guiada com o diretor do Museu Imperial e curador da exposição, Maurício Vicente Ferreira Jr. (Local: Museu Imperial)

17h – Espaço da Literatura Petropolitana (Local: Casa da Educação)

19h – Apresentação do documentário ‘Paixão’, de Antônio Callado, com mediação de Norton Ribeiro (Local: Cine Clube Mauá – Casa da Educação)

19h – Mesa ‘A Atividade Editorial da Segunda Metade do Século XX’, com os palestrantes Cristina Ferrão, José Paulo M. Soares e Fabiano Cataldo e mediação de Mauricio Vicente Ferreira Júnior (Local: Museu Imperial).

O debate apresenta o perfil editorial nos anos 1950 com o movimento desenvolvimentista de JK, o impacto da reforma universitária nos anos 1960, a reverberação do mercado editorial nos anos 1970 e 1980 com o incremento das editoras universitárias e aquelas voltadas para o segmento acadêmico, além das editoras de arte no Brasil.

 

Dia 1º de Setembro | 6ª Feira

9h30 – Visita guiada à exposição ‘Quarup’, baseada na obra de Antônio Callado (Local: Casa da Educação)

11h – Visita guiada à exposição ‘A Serra Imperial de Machado de Assis e Seus Melhores Poemas’ (Local: Centro Cultural Raul de Leoni)

11h – Debate sobre o livro ‘Unidade Espiritual do Mundo’, com textos de Alberto Dines, Celso Lafer, Klemens Renoldner e Jacques Le Rider. Apresentação da obra: Israel Beloch. Exibição de filme de 15 minutos, seguido de debate (Local: Casa Stefan Zweig).

Em 1936, por ocasião de sua primeira viagem ao Brasil, Stefan Zweig proferiu na Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro a conferência: A unidade espiritual da Europa, em que prega o pacifismo, o humanismo e a tolerância em um momento no qual já se desenhavam no horizonte os contornos da Segunda Guerra Mundial. Quatro anos depois, em pleno conflito, voltou à América do Sul e repetiu a conferência em Buenos Aires, rebatizando-a de A unidade espiritual do mundo.

14h – Exposição ‘Casamentos e Relações Dinásticas no Brasil Imperial’ e visita guiada com o diretor do Museu Imperial e curador da exposição, Maurício Vicente Ferreira Jr. (Local: Museu Imperial)

14h – Hora do Conto na Biblioteca Rocambole para grupos escolares de 9 a 10 anos de idade – Leitura do livro Leopoldina, a princesa do Brasil, de Clóvis Bulcão, abordando a infância, o casamento e a vida no Rio de Janeiro da princesa, bem como, o marcante evento da independência do Brasil. Após a leitura da obra, o grupo será convidado a fazer uma visita temática ao Museu Imperial para reconhecer imagens e objetos do acervo alusivos à Dona Leopoldina (Local: Museu Imperial).

14h – Lançamento do projeto ’20 Anos Sem Paulo Freire’, com exposição sobre a vida e a obra do autor. Lançamento da biografia do educador com a presença de sua esposa, a autora Nita Freire, com palestra para professores e pedagogos (Local: Casa da Educação)

15h – Lançamento do livro ‘Viagem ao Brasil’, de Franz Frühbeck (Local: Museu Imperial)

Mesa D. Leopoldina: A Princesa do Brasil, com os convidados Clóvis Bulcão, Patrícia Souza Lima e Paulo Knauss e mediação de Claudia Maria Souza Costa.

O livro de Franz Frühbeck é inédito e foi especialmente editado pelo Instituto Oldemburg em parceria com o Museu Histórico Nacional. O jovem Frühbeck acompanhou a Imperatriz Leopoldina em sua viagem de navio ao Brasil e registrou cenas marcantes da nossa história. Debate sobre a vida e a correspondência da princesa austríaca Leopoldina, cujas cartas relatam o cenário conturbado da época tão bem quanto uma biografia. Leopoldina viveu plenamente o tempo de revoluções do século XIX, quase todas dirigidas contra a ordem político-social monárquica que dominava colônias no além-mar; quase todas feitas em nome da liberdade, da democracia política ou social, da independência ou salvaguarda de unidades nacionais. Para uma mulher de seu tempo, entre o velho e o novo continente, ela vivencia paradoxalmente o conceito de liberdade em disputas políticas: sua escrita exalta com precisão a tensão política da vida na Corte portuguesa, a qual teve que se adaptar, especialmente após o retorno de D. João VI para Portugal em 1821.

15h – Visita guiada à exposição ‘A Serra Imperial de Machado de Assis e Seus Melhores Poemas’ (Local: Centro Cultural Raul de Leoni)

15h30 – Apresentação do Coral dos Anjos, com regência de Danilo Henriques (Local: Casa da Educação)

17h – Espaço da Literatura Petropolitana (Local: Casa da Educação)

18h – Mesa ‘Machado de Assis e Petrópolis, a Cidade da Paz’, com os convidados Marcelo Fernandes e Suzana Klôh e mediação de Leandro Rodrigues (Local: Centro Cultural Raul de Leoni)

A mesa Machado de Assis e a Cidade da Paz explorará a relação de Machado de Assis com a cidade de Petrópolis, uma vez que, embora seja citada constantemente em sua obra, não há relatos de que o Bruxo do Cosme Velho, em algum momento, tenha, de fato, visitado a cidade Imperial.

19h30 – Mesa ‘Herói de Guerra ou Vilão Sanguinário: O Conde D’Eu, a Guerra do Paraguai e a Política Imperial’, com os convidados Rodrigo Goyena Soares e Ricardo Salles e mediação de Maria de Fátima Argon (Local: Museu Imperial)

A palestra buscará revisitar o lugar do Conde d’Eu na Guerra do Paraguai e, igualmente, propor respostas às controvérsias historiográficas sobre este personagem ainda pouco conhecido do grande público. Do ponto de vista histórico, o Conde d’Eu era visto com imensa desconfiança pelo partido conservador, que o julgava próximo demais das alas liberais. A seu turno, os membros do partido liberal vislumbravam no Conde a garantia de retorno ao poder, após a crise de 1868 alijá-los dos gabinetes imperiais. Para Dom Pedro II, ainda, as vitórias do Conde d’Eu – marido da Princesa Isabel e, portanto, genro do Imperador – dariam bons augúrios para um eventual Terceiro Reinado. Não menos controversas foram as ponderações historiográficas sobre as ações militares do Conde d’Eu: teria ele sido o autor da execução sumária de oficiais paraguaios ou seria essa perspectiva um relato histórico imiscuído em uma campanha republicana de rejeição tanto ao Conde quanto à Princesa Isabel?

 

Dia 2 de Setembro | Sábado

11h – Visita guiada à exposição ‘A Serra Imperial de Machado de Assis e Seus Melhores Poemas’ (Local: Centro Cultural Raul de Leoni)

11h – Visitas interativas (Local: Casa da Educação)

15h – Mesa ‘A Memória como Fonte para a Ficção e a Não Ficção’, com os convidados Clóvis Bulcão, Ruy Castro e Heloísa Seixas e mediação de Lara Sayão (Local: Museu Imperial)

Conversa entre três escritores que transitam entre a ficção e a não ficção a partir da memória. Enquanto Clóvis Bulcão e Ruy Castro escrevem biografias e livros de reconstituição histórica, Heloisa Seixas é autora de romances e contos. Só que, no caso do casal Ruy Castro e Heloisa Seixas, às vezes, os papéis se invertem e eles se metem na seara um do outro. Os três irão conversar com o público sobre os prazeres e os desafios da escrita, bem como, sobre as diferenças entre biografia e memória, e entre ficção e não ficção.

15h – Visita guiada à exposição ‘A Serra Imperial de Machado de Assis e Seus Melhores Poemas’ (Local: Centro Cultural Raul de Leoni)

18h30 – Encerramento da FLISI com ‘Um Sarau Imperial’ (Local: Museu Imperial)

Dramatização interativa de uma atividade típica de lazer do século XIX. Embalado por modinhas imperiais cantadas por uma soprano e acompanhadas ao piano, o público assiste e participa com canções, declamação de poesias e conversas sobre assuntos sociais, econômicos, políticos e culturais da época, retirados da correspondência particular da família imperial. Conta com as personagens históricas Princesa Isabel, Condessa de Barral, Baronesa de Loreto, Francisca Taunay e Adelaide Taunay.