Theatro Municipal encena a ópera-balé ‘La Tragédie de Carmen’

“La Tragédie de Carmen” concentra a ação nos quatro protagonistas em um poderoso espetáculo (Foto: Júlia Rónai)

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta uma versão inédita na cidade da célebre ópera “Carmen”, de Bizet. Ao mesmo tempo em que traz todas as melodias e cenas mais famosas e amadas de “Carmen”— a Seguidilha, a Canção do Toreador ou a Aria da Flor, por exemplo — “La Tragédie de Carmen” concentra a ação nos quatro protagonistas em um poderoso espetáculo de pouco mais de uma hora que estreia dia 9/8 e ficará em cartaz até o dia 19/8. E no dia 13/8, uma promoção especial para o público, com nova edição do Domingo a R$1.

“La Tragédie de Carmen”, que faz sua estreia profissional brasileira no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, terá direção de Juliana Santos e Menelick Carvalho, uma orquestra de solistas da Orquestra Sinfônica do TMRJ, regida por Priscila Bomfim e Jésus Figueiredo, acompanha os 4 cantores principais (em 3 elencos), bailarinos do Corpo de baile do TMRJ e jovens talentos da Escola de Dança Maria Olenewa, coreografados por Marcelo Misalidis.

Nos três elencos nacionais, reconhecidos cantores como Carolina Faria, Eric Herrero e Leonardo Neiva; destacados solistas do coro do TMRJ, como Flavia Fernandes, Ivan Jorgensen, Lara Cavalcanti e Gisele Diniz; e ainda jovens talentos da Academia de Ópera Bidu Sayão, como Cintia Graton, Tatiana Nogueira, Matheus Pompeu e Frederico Oliveira. É precisamente nesta original junção de canto e dança, num espetáculo de ópera e balé, de vídeo e imagens fortes, que a magia e o drama da obra original aparecerão com uma força renovada no palco do Municipal.

A estreia de “Carmen”, de Bizet, no l’Opéra-Comique, em 1875, foi uma das mais controversas da história da Ópera. A plateia, acostumada com obras edificantes que tratavam de assuntos nobres, ficou chocada com a ousadia de Bizet, que abordava a vida e os sentimentos de soldados baixos e criminosos, e trazia como personagem principal uma cigana sedutora e sem qualquer moral. As críticas foram as mais diversas. Sobre a obra, o Music Trade Review, de Londres, escreveria “Se fosse possível imaginar Sua Majestade Satânica escrevendo uma ópera, ‘Carmen’ seria o tipo de obra que se esperaria”. Em contrapartida, a avaliação do Le National de Paris destacou: “Bizet quer pintar homens e mulheres de verdade, alucinados, atormentados pelas paixões, pela loucura. Assim, a orquestra conta suas angústias, seus ciúmes, suas cóleras e a insensatez geral”. Apesar do choque inicial (ou talvez até mesmo por causa dele), a história consagraria a ópera de Bizet como uma das mais importantes do gênero.

Em 1983, o diretor de cênico, Peter Brook, em colaboração com o escritor Jean-Claude Carrière e o compositor Marius Constant, surpreendeu novamente o mundo da ópera, apresentando, em Paris, sua adaptação de Carmen com duração de apenas 90 minutos. O próprio título da obra, “La Tragédie de Carmen” já deixa clara a intenção do diretor. Brook eliminou muitos personagens – e todos os coros de soldados, crianças e trabalhadores das fábricas – para concentrar a ação nos quatro personagens principais. “tudo foi recortado buscando focar na intensa interação, na tragédia de quatro pessoas”, declarou o diretor.

O resultado é um poderoso espetáculo teatral com colorido espanhol pela música de Bizet. Todas as mais conhecidas árias foram mantidas e dramaticamente reorganizadas para uma orquestra de câmara. Mais curta, a versão de Brook torna-se ainda mais desafiadora para intérpretes e público, já que a tensão se mantém do inicio ao fim do espetáculo. Desde sua estreia, “La Tragédie de Carmen” foi apresentada nos principais palcos do mundo da ópera. Agora será a vez dos cariocas se emocionarem com a versão de Peter Brook.

– O objetivo meu e do presidente do Theatro Municipal, André Lazaroni, que também é Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, é ajudar o teatro a ser autossustentável, mais livre para poder oferecer sua arte. Não somente trazer o público de volta ao Municipal mas também mostrar que este Theatro está no coração de todos, aberto a todos. Obras que todo mundo deve ter a oportunidade de conhecer, feitas com a qualidade e criatividade do TMRJ. Fazer ‘La Tragédie de Carmen’ é o perfeito resumo disso tudo: um título popular, feito em uma nova versão. Unindo solistas do Balé, Orquestra e Coro, além de novos diretores e coreógrafos. Além do mais, ‘Carmen’ é em si uma personagem que fala dessa liberdade, de desafiar as situações mais difíceis – diz André Heller-Lopes, diretor artístico do Theatro Municipal.

Carolina Faria interpreta Carmen (Foto: Júlia Rónai)

Direção Cênica: Juliana Santos e Menelick Carvalho
Regência: Priscila Bomfim / Jesus Figueiredo

ELENCO:
Carmen: Carolina Faria, Lara Cavalcanti e Cinthia Graton

D Jose: Eric Herrero, Ivan Jorgensen e Mateus Araujo

Micaela: Flavia Fernandes, Gisele Diniz e Tatiana Nogueira

Escamillo: Leonardo Neiva, Daniel Germano e Fred Oliveira

Coreografia: Marcelo Misailidis

Assistentes: Christine Ceconello e Jorge Teixeira

Supervisão de Figurinos: Irani Rodrigues

Carmen: ​Claudia Mota e Mel Oliveira

Don Jose: Filipe Moreira, Sandro Fernandes e Carlos Cabral

Destino​: Priscilla Mota e Christine Ceconello (convidada)

Zuniga: ​Roberto Lima

Lillas Pastia: Mateus Dutra

Garcia​​: Edifranc Alves

Toureiros​: Alef Albert, Diego Lima e Sandro Fernandes

Soldados​: Carlos Cabral, Santiago Junior e ​​​Bruno Fernandes

Ciganas: ​Monica Barbosa, Juliana Valadão, Carla Carolina, Paula Damiani e Regina Ribeiro

Elenco de apoio da EEDMO: Ana Beatriz Marques, Giulia Rossi, Maria Luiza Patury, Tabata Sales, Felipe Viana, Lucas Moraes, Renan Magalhães

SERVIÇO:

Datas: 9,10,12,17 e 18 de agosto às 20h e 19 de agosto às 20h30.
Valores: Camarotes e frisas: R$ 300 / Plateia e balcão nobre: R$ 50 / Balcão superior: R$ 30 / Galeria: R$ 20
Ingressos disponíveis na bilheteria do Theatro e pelo site ttps://www.ingressorapido.com.br

No dia 13/08 (às 11h30), o ingresso custará R$1 (Ingressos disponíveis somente na bilheteria do Theatro)

Lotação: 2226 lugares

Theatro Municipal do Rio de Janeiro – Praça Floriano, s/nº – Centro