Uso excessivo do celular pode modificar a curvatura da coluna

O uso constante do celular com o pescoço inclinado para baixo pode modificar a curvatura da sua coluna, diz estudo (Foto: Shutterstock)

Cirurgiões e especialistas em coluna vertebral estão percebendo um aumento no número de pacientes que reclamam de dor no pescoço e nas costas. O motivo? Provavelmente, o uso de aparelhos celular. É isso mesmo. De acordo com um estudo, a má postura durante o uso prolongado de smartphones pode estar causando sérios problemas de saúde em jovens e adultos do mundo todo.

A pesquisa, publicada no The Spine Journal, aponta que o uso intenso e irregular do celular é o motivo para alguns pacientes, especialmente pacientes jovens que ainda não deveriam ter problemas nas costas e pescoço , estarem relatando hérnias de disco e problemas de alinhamento .

“Em um raio-X, o pescoço normalmente se curva para trás, e o que estamos vendo é que a essa curva está sendo invertida, como acontece quando as pessoas olham para baixo focadas em seus telefones, por horas durante o dia”, declarou um dos autores do estudo, o Dr. Todd Lanman, um neurocirurgião espinhal do Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles.

“A verdadeira preocupação é que não sabemos o que isso pode significar ou influenciar na vida de crianças, que hoje usam telefones o dia todo”, ponderou Lanman.

Outro especialista que também foi responsável pelo relatório, Jason Cuellar, cirurgião ortopédico da coluna vertebral em Cedars-Sinai, afirmou que as pessoas, muitas vezes, fazem esse movimento de olhar para baixo quando usando seus smartphones, principalmente, quando digitam.

Cuidado redobrado: o corpo flexionado faz com que o peso da cabeça da criança seja maior causando danos à coluna. (Foto: Shutterstock)

Crianças que usam celular podem precisar de cirurgia antes dos 30 anos

Estudos anteriores já haviam descoberto que as pessoas têm o pescoço em torno de 45 graus, e isso se torna ainda quando elas se sentem.  O impacto na coluna vertebral aumenta em posturas mais flexionadas, acrescentam os responsáveis pela pesquisa.

Enquanto, em uma posição neutra olhando para frente, a cabeça pesa cerca de 10 a 12 quilos. Já com o corpo flexionado em 15 graus, o peso pode aumentar para 27 quilos. O estresse na espinha aumenta conforme a envergadura da cabeça aumenta.

“Se fossemos levar em conta essa informação, pelo modo como as pessoas usam celulares hoje, uma criança de 8 anos precisa de cirurgia aos 28 anos”, disse Lanman. “Em crianças que têm a espinha dorsal ainda em fase de crescimento e não foi desenvolvida, não temos certeza do que esperar ou se isso pode mudar as anatomias normais”, disse ele à Reuters Health.

Fonte: Reuters Health