Miguel Pereira: tranquilidade e beleza no Vale Fluminense (Parte I)

Pórtico na entrada da cidade de Miguel Pereira. Fonte: Divulgação

Miguel Pereira é uma cidade serrana tranquila e afamada por suas belezas naturais. Localiza-se na microrregião Centro-Sul Fluminense, a 618 metros acima do nível do mar. Devido à combinação de altitude, topografia e vegetação, a estância é considerada o 3° melhor clima do mundo.

História

A evolução histórica de Miguel Pereira está ligada à de Vassouras e de Paty do Alferes, e à expansão da cultura cafeeira no vale fluminense do Rio Paraíba do Sul.

Inicialmente conhecida como Barreiro, e depois, Estiva, a ocupação da área de Miguel Pereira teve origem nas primeiras explorações que visavam transpor a Serra do Mar, com a abertura do Caminho Novo do Tinguá, por Garcia Rodrigues Paes. Os tropeiros que subiam o Rio das Mortes, em direção a Sacra Família do Tinguá, fixaram ponto de passagem em pequena várzea.

As lavouras de café expandiram-se por todo o território da vila, constituindo-se em fator de progresso e acentuada dinamização da economia local. Outros fatores de crescimento foram a fundação da Fazenda da Piedade de Vera Cruz (1770) e a construção da capela do Padroeiro Santo Antônio (1898), em cujas periferias os primitivos colonos de Barreiros ergueram suas casas humildes e seu comércio incipiente, permitindo, dessa maneira, a chegada de novos exploradores para o lugar.

Esse surto de desenvolvimento motivou a criação da freguesia de Nossa Senhora de Vassouras, em 1837, tendo como sede a vila de Vassouras, que, em 1857, foi transformada em cidade e sede do município. Mesmo fazendo parte do município de Vassouras, e sofrendo com o declínio econômico em face da libertação dos escravos, a região recebe alguns benefícios e o desenvolvimento urbano é impulsionado no início do século XX, quando foi aberto ramal auxiliar da estrada de ferro Leopoldina que, partindo de Japeri, na Baixada Fluminense, atingia o Rio Paraíba, em Paraíba do Sul.

O eixo ferroviário estimularia o nascimento de povoações que, em sua maioria, abrigavam os próprios trabalhadores da ferrovia. Este é o caso de Governador Portela, onde parte das áreas urbanas eram de propriedade da Rede Ferroviária Federal – RFFSA, construindo toda uma vila residencial destinada aos ferroviários. Esta característica é responsável pelo desenvolvimento da sede distrital que ocorreria antes de Estiva, atual Miguel Pereira.

A urbanização das áreas adjacentes à estação de Estiva teria lugar a partir da década de 1930, quando as qualidades do clima da região foram propagadas pelo Professor Miguel Pereira, que mais tarde daria seu nome à cidade. Desde então, a ocupação urbana teria como vetor principal o turismo de veraneio, que atraía e ainda atrai a população da Região Metropolitana do Estado. O acesso original pela ferrovia seria substituído na década de 50 por uma rodovia, cuja pavimentação posterior representou grande estímulo ao desenvolvimento urbano e turístico da área.

Lago Javary, um dos cartões postais mais bonitos de Miguel Pereira.

Segundo a divisão administrativa de 1943, o município de Vassouras era formado por onze distritos, dentre os quais os de Miguel Pereira, Governador Portela e Conrado. Em 1955, os dois primeiros distritos foram desmembrados de Vassouras, a fim de formar o município de Miguel Pereira, que assim conquista emancipação, por força da Lei nº 2.626, de 25 de outubro daquele ano, e é instalado em 26 de julho de 1956. Em 1988 Conrado, também foi anexado a Miguel Pereira.

(Continua na Parte II)