Sustentabilidade e saúde no consumo de alimentos

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Hoje em dia é comum observarmos pessoas acima do peso, independente da idade. Além disso, é comum o acesso, mesmo em cidades pouco urbanizadas, a alimentos ricos em gordura, sal e açucares.

Prestar atenção a este fato e gerenciar a qualidade do que se consome é um ato que precisa ser ensinado para que se torne consciente. O ato de consumir ocorre quando se faz uso de um bem ou de um serviço. O vocábulo se refere a destruir, exterminar, acabar e extinguir algo. Se pensarmos no consumo de alimentos, consumir satisfaz uma necessidade. Porém, nos dias atuais, nem sempre é a necessidade que gerencia o consumo, gerando uma série de problemas, que já na infância podem prejudicar o desenvolvimento saudável da criança e do adolescente, tornando-o um adulto com tendências ao consumo compulsivo. Desta forma, o papel dos adultos é fundamental para que a criança tenha o direito de comer com qualidade.

No Brasil, nos últimos dez anos, a batalha tem sido para findar a desnutrição, porém agora a preocupação é com a qualidade do alimento servido. Parar e pensar nas escolhas que fazemos nos revela o estilo de vida que temos e que, com cuidado e estimulação, pode ser cada vez mais sustentável. A ideia de aprendermos e ensinarmos sobre o ciclo de vida de um produto, nos auxilia a entender se a forma como é produzido é sustentável, gerando menos danos ao meio ambiente. Essa ação educadora tem o intuito de conscientizar a criança e o adolescente para as escolhas autônomas e armadilhas do consumo quebrando um circuito vicioso, tornando-o virtuoso e prazeroso.

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Lembrando que fazemos parte de um sistema, as esferas culturais, sociais e as motivações influenciam o comportamento alimentar. O ambiente familiar é o nosso primeiro contato com o mundo, e se não for o familiar, o ambiente institucional (abrigo, creche, escola, cuidadores), constituído por adultos, apresentam atitudes que podem ou não estimular a curiosidade da criança por determinado alimento. A formação de hábitos está relacionada com condições socioeconômicas, culturais e às redes sociais, nas quais as crianças estão inseridas. Por isso, fontes potenciais de consumo infantil precisam ser gerenciadas pelos responsáveis. Na construção do hábito alimentar, a criança cria seus laços afetivos, psicológicos e emocionais com o alimento, desde a amamentação.

A influência de modelos adultos pode formar a preferência alimentar da criança e a sua regulação da ingestão energética. Chamamos aqui a atenção para as crenças em relação a determinados alimentos e pela necessidade de informação nutricional para os adultos. Preconceitos, tabus alimentares e atitudes que levam a erros alimentares podem ocorrer, como por exemplo, supervalorização de alimentos que servem como recompensas (tendência de doces assumirem esta função).

Assim, somente ter a informação do rótulo do produto não é prerrogativa de um consumo saudável. Experimentar e avaliar alternativas para o consumo é hoje uma prática saudável e prazerosa, levando a percepções de uma vida mais criativa e sustentável. Um trabalho que gera melhoria de qualidade de vida para a família como um todo! Mãos a obra!

Fonte: SBH/ Dra. Luciana Angelo – Psicóloga