Caixa Cultural RJ estreia exposição de artistas indígenas da Austrália

A CAIXA Cultural Rio de Janeiro apresenta, de 14 de março a 14 de maio, a exposição O tempo dos sonhos: arte aborígene contemporânea da Austrália, a mais vigorosa, significativa e diversificada coleção de obras de arte dos povos indígenas da Austrália a visitar a América do Sul. São mais de 70 trabalhos, entre pinturas, esculturas e impressões, que englobam um período de 45 anos, desde o despertar da comercialização da arte aborígene contemporânea na década de 1970 até o presente. A mostra chega ao Rio depois de bem-sucedidas passagens pela CAIXA Cultural São Paulo e pela CAIXA Cultural Fortaleza.

Os trabalhos foram selecionados pelo curador brasileiro Clay D´Paula e pelos australianos Adrian Newstead e Djon Mundine, entre uma coleção de mais de três mil peças da Coo-ee Art Gallery, a mais antiga galeria de arte aborígene da Austrália. Peças de coleções privadas e instituições governamentais também atravessaram o oceano exclusivamente para esta exposição.

Os visitantes vão poder apreciar obras dos artistas indígenas de maior projeção internacional, como o celebrado pintor Rover Thomas (1926-1998) que, com suas paisagens de cor ocre, mudou a percepção paisagística australiana, e Emily Kame Kngwarray (1910-1996), considerada pela crítica como uma das maiores pintoras da abstração do século XX. Outro destaque são as chamadas bark paintings, um tipo de pintura sobre entrecasca de eucalipto típica do norte da Austrália e uma das formas de expressão artística mais antigas do mundo, datando de mais de 40 mil anos.

“A arte não é uma invenção dos europeus. Toda cultura tem a sua própria e singular forma de expressão: seja na música, na dança ou na pintura. Não existe diferença entre uma obra de arte criada no deserto e na cidade. Elas devem ser apreciadas e reconhecidas da mesma forma. Esta exposição vem descortinar tais pré-conceitos e ilumina e reconhece as obras criadas pelos artistas indígenas de todo o mundo”, afirma o curador Clay Paula.

A exposição proporciona ao povo brasileiro a oportunidade de refletir sobre o impacto da colonização sobre os povos indígenas. Reconhecer o potencial artístico dos ameríndios pode ser uma forma de reconciliação com o passado e trazer uma nova perspectiva. O projeto também traz uma reflexão sobre a filosofia indígena – que consiste no conhecimento mítico – aplicada à arte contemporânea.

“Nós, brasileiros, tivemos, até hoje, poucas oportunidades de conhecer todo esse universo da arte aborígene da Austrália –  o que pode, inclusive, levar-nos a refletir sobre os povos indígenas de nosso país. O Brasil e a Austrália possuem muitas coisas em comum. Contribuir para aproximá-los e convidar ao diálogo é um dos objetivos dessa exposição”, justifica Clay.

O Sonhar do Cachorro Selvagem na Estação Napperby

Atividades paralelas

A programação inclui, ainda, duas visitas guiadas com especialistas. A primeira será realizada pelo curador da mostra Clay D´Paula, com a participação da pesquisadora de arte indígena Germana Portella e do artista Karajá Xoha, no dia da abertura da exposição ao público, 14 de março (terça-feira), às 19h. A segunda ocorrerá no dia 22 de abril (sábado), às 15h, com a mais respeitada especialista em arte aborígene no Brasil, Ilana Goldstein.

No sábado seguinte (29 de abril), também às 15h, a mostra oferece uma oficina com o artista Eli Braga, que ensinará como o público pode criar objetos de design de alto valor estético com materiais recicláveis. Voltada para o público a partir dos 10 anos, esta atividade foi criada especialmente para a exposição e será totalmente inspirada na filosofia dos artistas aborígenes da Austrália. A inscrição é gratuita e pode ser realizada pelo e-mail: otempodossonhos@gmail.com.

A arte aborígene contemporânea da Austrália

Os artistas aborígenes pintam os seus sonhos. Diferente da ideia tradicional de sonhar e sua associação com o inconsciente, para eles, pintar o “Sonhar” significa recontar estórias que são atemporais a fim de mantê-las vivas e repassá-las a futuras gerações. Não se trata de algo religioso, tem a ver com a sua sobrevivência. Essas pinturas contêm informações vitais, como por exemplo onde encontrar água permanente. Manter esse “Sonhar” vivo é a motivação fundamental para a prática da arte dos indígenas da Austrália.

Com status de arte contemporânea, esse tipo de produção vem sendo cada vez mais valorizada e reconhecida. As peças dos aborígenes estão presentes em museus como o MoMA, de Nova Iorque e em diversos eventos mundiais de arte, como a Bienal de Veneza, a de São Paulo e a Documenta, em Kassel. Estima-se que, hoje, a arte aborígene australiana movimente cerca de 200 milhões de dólares por ano naquele país e que mais de 7 mil artistas indígenas vivam de sua prática.

Informações: Divulgação