Trabalho de fotógrafo amador revela o Rio da virada do século 19 para o 20

Imagem registrada por Alberto de Sampaio na Avenida Rio Branco, em 1915 (Foto: Alberto de Sampaio/Centro Cultural Correios Rio/Divulgação)

A exposição de fotografias “Lentes da memória”, com as imagens registradas por Alberto de Sampaio, em cartaz no Centro Cultural dos Correios, revela imagens inéditas sobre o Rio de Janeiro do fim do século 19 e começo do século 20, em um ponto de vista que não é muito comum em fotos históricas: o dos fotógrafos amadores.

Alberto era advogado, mas tinha como paixão a fotografia e o cinema. Ele foi responsável por registrar alguns dos momentos históricos do Rio, como a inauguração da Avenida Central – posteriormente rebatizada como Avenida Rio Branco – o Morro do Castelo e a visita ao Rio do presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt.

O trabalho de Alberto Sampaio é revelado pela curadora Adriana Martins Pereira, que estuda a produção do fotógrafo e advogado há dez anos. Adriana teve o primeiro contato com alguns negativos quando fazia um curso na Sociedade Petropolitana de Fotografia. “Eu fiquei encantada. Eram grandes negativos em vidro e álbuns”, contou.

O encanto fez com que ela procurasse o doador, o neto de Alberto, que possuía um vasto material sobre o avô, passado por ele por meio do pai. Para Adriana Pereira, as imagens revelam um olhar sobre o Rio bem diferente das imagens feitas por fotógrafos profissionais da época, um olhar do homem comum.

“Havia uma série de outros fotógrafos amadores. Ele fazia parte de um movimento que muitos desconheciam. Alberto fazia parte de um clube. Esses amadores fundaram a primeira sociedade de fotografia do Rio de Janeiro”, explicou a curadora.

Pescadores de Copacabana em 1906, imagem de Alberto de Sampaio (Foto: Alberto de Sampaio/Centro Cultural Correios Rio / Divulgação)

Olhar amador
O olhar amador de Alberto Sampaio e de outros fotógrafos mostra espaços do Rio de Janeiro muito diferentes do que são hoje, como o começo da ocupação nas praias.

“São registros que mostram outro olhar, é um olhar amador. Que tem algumas especificidades. É uma janela para entender uma página da fotografia do Brasil, feita por homens comuns que se dedicaram à fotografia, tinham laboratórios em casa e começaram a filmar mais tarde”, destacou a curadora.

Alberto de Sampaio nasceu no Rio em 1870, no bairro do Rio Comprido, na Zona Norte da cidade. Em 1887, ele se mudou para Petrópolis, mas voltou ao Rio no ano seguinte, quando entrou na Faculdade de Direito. Nessa época, ele começou a fotografar.

O hábito de registrar a cidade em fotografias foi mantido até 1927, quando ele se encantou com uma nova forma de registro de imagens: a filmagem. A partir daí, os registros fotográficos se tornaram mais raros, dando lugar aos filmes de 16 mm.

O amor pelas câmeras durou até 1931, quando ele faleceu. A partir daí, as imagens foram guardadas pelo filho e depois pelo neto, que as mantiveram até os dias de hoje.

“Ele faz parte da primeira geração de fotógrafos não profissionais. De homens comuns, que tinham uma certa condição financeira, e que podiam se dedicar a esse hobby”, explicou Adriana.

Imagens em terceira dimensão para que deficientes visuais possam apreciar o trabalho de Alberto de Sampaio (Foto: Centro Cultural Correios Rio / Divulgação)

Acessibilidade
A exposição também conta com itens de acessibilidade para que até quem não enxerga tenha a oportunidade de conhecer as obras. São disponibilizadas maquetes táteis do espaço da exposição e de objetos que estarão expostos, como a máquina fotográfica e câmera de filmar, muito utilizadas pelo fotógrafo.

As fotografias que compõem o acervo audiodescrito também contam com QR Codes para que o público, com deficiência visual ou não, possa acessar a descrição por meio do celular. Além dos recursos táteis e de áudio, há profissionais audiodescritores a postos em todos os dias da exposição, para receber grupos previamente agendados e acompanhar pessoas com deficiência visual durante a visita.

Autoretrato de Alberto de Sampaio, feito em 1909 (Foto: Centro Cultural Correios Rio / Divulgação)
Demolição do Morro do Castelo, imagem registrada em 1921 (Foto: Alberto de Sampaio/Centro Cultural Correios Rio / Divulgação)
Palácio Monroe, imagem de Alberto de Sampaio feita em 1917 (Foto: Alberto de Sampaio/Centro Cultural Correios Rio / Divulgação)
Imagem do Morro do Castelo, registrada por Alberto de Sampaio em 1906 (Foto: Alberto de Sampaio/Centro Cultural Correios Rio / Divulgação)

Informações
Exposição Lentes da memória

Centro Cultural Correios do Rio de Janeiro
Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro | Contato: (21) 2253-1580
Período da exposição: até 04 de dezembro
Aberta de terça-feira a domingo, entre 12h e 19h
Entrada gratuita

Fonte: G1