Personalidades do Rio – Renato Russo

Renato Russo é um clássico eterno de nossa cultura. Sua obra reúne o lirismo da MPB com a energia do movimento Punk Rock dos anos 80.

Renato ‘Russo’ Manfredini Júnior (27 de março de 1960 / 11 de outubro de 1996) nasceu no Rio de Janeiro. Filho do funcionário público do Banco do Brasil, Renato Manfredini, com a professora de inglês, Maria do Carmo, viveu dos 7 aos 10 anos em Nova York (EUA), por conta de uma transferência profissional de seu pai.

Aos 13 anos, de volta à Brasília, Renato estudava e levava uma vida típica dos adolescentes de classe média da Capital Federal, quando, entre os 15 e os 17 anos, enfrentou uma rara doença óssea, a epifisiólise, que o deixou por um período entre a cama e a cadeira de rodas. Já nesta época criava bandas e movimentos imaginários. Começou também a compor letras e músicas, compulsivamente, em casa.

Em seguida, formou a banda Aborto Elétrico, em 1979. Em 82 abandonou o Aborto Elétrico e passou a fazer trabalhos solos. Neste período ficou conhecido como “O Trovador Solitário”.

A Legião Urbana surgiu quando Renato se juntou a Marcelo Bonfá, Eduardo Paraná (Hoje conhecido como Kadu Lambach) e Paulo ‘Paulista’ Guimarães, ainda em 1982. Ico-Ouro Preto também tocou guitarra em poucos shows do início da banda. No ano seguinte, Paulista e Paraná deixam a formação original e Dado Villa-Lobos assume a guitarra.

Uma gravação demonstrativa chegava às mãos de executivos da EMI-Odeon, no Rio de Janeiro. Nesta fase, a banda contou com o importante apoio de Herbert Viana, do Paralamas do Sucesso, que tinha sido contratada pela gravadora e já os conhecia e admirava. Assim, a Legião Urbana foi contratada para lançar seu primeiro álbum, que foi produzido em 1984 e lançado nos primeiros dias de 1985. Momentos antes dessa gravação, o músico Renato Rocha, o “Negrete”, passa a integrar a banda como baixista, posto antes ocupado por Renato Russo. A partir dali nasceriam discos marcantes e grandes sucessos.

Em 1993 Renato iniciou a carreira solo e lançou The Stonewall Celebration Concert (1994), disco de ‘militante’, cujo nome é referência ao bar nova-iorquino onde, em 1969, gays se rebelaram contra a ação política. O álbum ‘Stonewall’ também é uma homenagem ao seu ex-namorado, então recém-falecido, Scott, e continha músicas de Madonna e Bob Dylan, entre outros.

No ano seguinte lançou Equilíbrio Distante (1995), interpretando canções italianas, cuja sonoridade (combinada à sua descendência), Renato gostava muito. O disco apresenta sucessos como Strani Amori, La Solitudine e La Forza Della Vita. Segundo o próprio Renato, o álbum foi feito em homenagem a sua família.

Renato morreu em 1996 com apenas 36 anos por broncopneumopatia, septicemia e infecção urinária, conseqüências do contágio pelo vírus HIV. Ele descobriu a doença em 1989, mas nunca assumiu publicamente ser portador.

Em 1997 é lançado o disco póstumo “O Último Solo”, com gravações inéditas que não entraram em seus CDs solo anteriores. Em 2003, sete anos após a morte de Russo, a EMI lança “Presente”, trazendo duetos e trechos de entrevistas gravadas em áudio.

Em 2006 surge o CD/DVD “Uma Celebração”, gravado pelo canal de TV Multishow, em parceria com a EMI, com músicas interpretadas ao vivo por vários artistas. Em 2008 sai o CD “O Trovador Solitário”, com gravações caseiras de Renato em 1982. E em 2010, ao celebrar os 50 anos que Renato Russo faria, a EMI lança o álbum “Duetos”, montado com gravações de Russo e participações póstumas de vários artistas.

O ecletismo é uma das marcas das obras de Renato, que foi gravado por artistas diferentes entre si – como a banda punk argentina Attaque 77 e o cantor romântico brasileiro Nelson Gonçalves. Também teve canções registradas nas vozes de Simone, Ricky Martin, Jerry Adriani, Cássia Eller e Zélia Duncan, entre outros. Já Leila Pinheiro homenageou Renato com o álbum “Meu Segredo Mais Sincero”. Em parceria com a amiga Marisa Monte, compôs “Soul Parsifal”.

Renato Russo é um clássico eterno de nossa cultura. Ele não foi simplesmente autor ou intérprete. Permanece como um ídolo de milhões de pessoas que, até hoje, mesmo depois de passados 18 anos de sua morte, admiram e divulgam suas ideias, letras, músicas e imagem. Sua obra reúne o lirismo da MPB com a energia do movimento Punk Rock dos anos 80. As letras poéticas são rebuscadas e têm grande apelo popular.

Se estivesse vivo, completaria 56 anos dia 27 de março de 2016.