Praça Tiradentes: História e Cultura no Centro do Rio

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Os séculos XVII e XVIII

O logradouro originou-se no século XVII, a partir do desmembramento do Campo de São Domingos. Inicialmente chamou-se Rossio Grande, numa referência ao Largo do Rossio de Lisboa, passando a ser chamado de Campo dos Ciganos, por ter sido ocupado por tendas de ciganos.

A partir de 1747, com a construção da Igreja de Nossa Senhora da Lampadosa num terreno próximo, passou a ser conhecida como Campo da Lampadosa. No final do século XVIII, o então presidente do Senado, Petra de Bittencourt, ergueu um palacete defronte à praça, o Solar do Visconde do Rio Seco, antigo prédio do DETRAN e que, atualmente abriga o Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB).

Antigo Largo do Rossio do Rio de Janeiro (atual Praça Tiradentes) com o pelourinho ainda de pé. Ao fundo, o Real Teatro de São João. Debret, 1834.

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O século XIX
A partir de 1808 a praça passou a ser chamada de Campo do Polé, devido à instalação de um Pelourinho no local.

Em 1821, o príncipe-regente, D. Pedro de Alcântara, jurou fidelidade à Constituição portuguesa de 1822, então em elaboração, na sacada do Real Teatro São João (onde hoje se localiza o Teatro João Caetano, na imediação da praça, razão pela qual ela adquiriu o nome de Praça da Constituição).

Em 1872, nela foi inaugurado o Theatre Franc-brésiliene, atual Teatro Carlos Gomes. Em 1890, a praça adquiriu o seu atual nome, em comemoração ao centenário da morte de Tiradentes, que aconteceria dois anos depois. Tiradentes, mártir da independência brasileira, foi executado próximo à praça, na esquina da Rua Senhor dos Passos com a Avenida Passos.

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Do século XX aos nossos dias

Durante a efervescência cultural do final do século XIX e início do século XX, a praça ficou conhecida por ser o “ponto cem réis” dos bondes que faziam retorno para o bairro da Muda. Durante essa época, a cantora lírica brasileira Bidu Sayão morou numa casa no número 48 da praça.

Possui, em seu entorno, dois dos mais importantes teatros da capital: Teatro Carlos Gomes e Teatro João Caetano. Também em seu entorno se localizam alguns estabelecimentos tradicionais centenários, como o Real Gabinete Português de Leitura, a Sapataria Tic-Tac (que criou fama na época do pós Segunda Guerra Mundial por se especializar em cravejar tachinhas de ferro nas extremidades do solado dos calçados), a Gafieira Estudantina, o Bar Luiz e outros já não mais existentes, como a Camisaria Progresso. Foi ainda afamado ponto de boemia e de meretrício da história da cidade, uma tradição que remontou ao século XIX e que apenas se extinguiu no local na passagem para o século XXI.

Monumentos da Praça e Arredores

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A escultura de D. Pedro I
O monumento em homenagem a D. Pedro I foi a primeira estátua instalada em praça pública no Brasil. Inaugurada em em 7 de setembro de 1822, foi concebida pelo brasileiro João Maximiniano Mafra, e executada pelo escultor francês Louis Rochet, assistente de Auguste Rodin. Fixada numa base de granito, a imagem é ladeada por alegorias em bronze que simbolizam os Rios Amazonas, Paraná, Madeira e São Francisco, além de uma mistura de figuras humanas e animais da fauna brasileira.

Rio Amazonas – simbolizado por uma índia com uma criança nas costas e um índio com os pés sobre um jacaré, além de uma arara;

Rio Paraná – representado por um índio segurando uma flecha e uma índia tocando maracá próximos de uma anta, um tatu e duas grandes aves;

Rio São Francisco – é representado por um índio sentado perto de um tamanduá bandeira e uma capivara;

Rio Madeira – aparece na figura de um índio com arco e flecha, em atitude de disparar próximo a uma tartaruga, uma ave e um peixe.

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Igreja de Nossa Senhora da Lampadosa

O templo começou a ser construído em 1748, num pedaço de terreno doado por Pedro Coelho da Silva, e servia também de cemitério dos escravos dissidentes das Irmandades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. Conta-se que, por serem devotos do Rei Baltazar, eles saiam em festas pelas ruas, principalmente no Dia de Reis, cantando de dançando, numa espécie de carnaval de rua, como hoje se conhece. Situada quase na esquina da Rua da Constituição com a Avenida Passos, a igreja ainda possui a santa que estava no altar no dia 21/04/1792, dia da execução de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que foi executado em local próximo.

Foto: Site Flickr/ Claudio Lara

Real Gabinete Português de Leitura

Inaugurado em 10 de setembro de 1887 e tombado em 5 de outubro de 1970, o prédio foi projetado pelo arquiteto português Rafael da Silva e Castro e sua inauguração teve presença da Princesa Isabel. Tem estilo manuelino, típico do século XV e XVI, época do reinado de D. Manuel I. Possui peças preciosas, tais como: a primeiras edições de Os Lusíadas, de Camões, o manuscrito do romance Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, o manuscrito do Dicionário Tupy-Guarany, de Gonçalves Dias, e a peça “Tu, só tu, puro amor”, escrito a mão por Machado de Assis, que era assíduo frequentador do local, tendo, inclusive, promovido no mesmo local, as primeiras reuniões da Academia Brasileira de Letras, na época ainda sem sede.

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Teatro João Caetano

Foi inaugurado em 12 de outubro de 1813 com o nome de Real Teatro de São João, nome dado por Fernandinho (Fernando José de Almeida) amigo do Rei, em homenagem a D. João. A inauguração foi com a ópera O Juramento dos Nunes, poema de D. Gastão Fausto de Câmara e música de Marcos Portugal. Teve vários nomes: Teatro Imperial de São Pedro, Teatro Constitucional Fluminense, Teatro São Pedro e, finalmente, Teatro João Caetano. Concedida por D. Pedro II, junto com um alfinete de brilhantes, a estátua que fica em frente ao teatro é uma homenagem a João Caetano (1808-1863) pelo seu sucesso empresarial e artístico e procura imortalizar um momento da atuação de João Caetano na peça Oscar, filho de Ossian, de Arnoult. Foi também nesse palco que aconteceu a primeira apresentação de Carmem Miranda, em 1930.

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Teatro Carlos Gomes

Sua construção começou em 1929 e sua inauguração aconteceu em 1932. Antes dele, o primeiro palco construído no local foi em 1872 e tinha o nome de Cassino Brésilien. Embora tenha passado por várias reformas e sido propriedade de diferentes empresários, o Carlos Gomes marcou a história do Rio de Janeiro, principalmente a Praça Tiradentes, por seus grandes espetáculos, dentre eles, o Teatro de Revista, no início do século XX. Peças como: Maxixe (1906), Os Dragões da Independência (1918) e Onde Está o Gato (1929) conseguiam transformar o local numa espécie de Broadway brasileira. Na década de 30, o teatro continua brilhando, principalmente quando recebe a companhia Tro-lo-ló, criada em 1925 por José do Patrocínio Filho e Jardel Jércolis. Em 1932, Oscarito fez sucesso na ribalta do local no espetáculo Morangos com Creme, ao lado de Aracy Cortes.

Teatro Carlos Gomes, construído em estilo Art Déco, com piso em pastilhas e escadarias em mármore.

Fontes: Novo Rio Antigo e Wikipedia