Odeon, cinema de rua mais antigo do Rio, reabre como centro cultural

Superada a crise financeira e a obra de renovação que calaram sua tela por onze meses, o Odeon, mais antigo cinema do Rio reabre hoje como centro cultural, alternativa para que se torne sustentável. Além de filmes, mostras, sessões para cineclubistas e universidades, a sala da Cinelândia, no Centro, deverá receber apresentações teatrais e musicais e exibições de jogos de futebol, como a final da Liga dos Campeões da Europa.

A ideia é não restringi-lo a filmes de arte, tônica do período 2000-2014, quando a gestão coube ao Grupo Estação, e sim torná-lo “o cinema de quem ama cinema” (independentemente do gênero), como define o novo programador, o jornalista Sergio Sá Leitão, ex-secretário municipal de Cultura. A estreia será com “O Vendedor de Passados”, de Lula Buarque de Hollanda, com Lázaro Ramos e Alinne Moraes.

“É muito difícil recuperar o investimento da obra, mas a programação variada tende a atrair um contingente maior de público”, disse Sá Leitão, referindo-se ao R$ 1,5 milhão gasto pelo Grupo Severiano Ribeiro (GSR), dono do Odeon desde os anos 1930. A reforma melhorou a projeção, as 550 poltronas, o ar condicionado e as instalações elétrica e hidráulica.

Neto do fundador do grupo, Luiz Severiano Ribeiro Neto quer fugir do que já está em cartaz. “Vai ser algo totalmente diferente. A taxa de ocupação vai melhorar muito”, aposta. Antes de fechar, por conta da dificuldade do Grupo Estação de arcar com os R$ 130 mil que o Odeon lhe custava mensalmente, a taxa estava em 15%. O patamar é considerado mediano: nos cinemas de shopping do GSR, que tem 78 salas no Rio e 244 no Brasil, é de 30%.

As obras prepararam o espaço para exposições. Uma, permanente, contará a trajetória do Odeon e da Cinelândia. A praça ganhou o apelido por concentrar o maior número de cinemas do Rio, onze, dos anos 1920 em diante. Passada a fase de decadência, o Odeon é o único a levar a história adiante. De 1926, foi o último a abrir. Tornou-se o mais luxuoso e importante, com 960 lugares e área livre de colunas a atrapalhar a visão do público. Nessa nova fase, os funcionários usarão uniformes retrô, que remetem à época áurea.

Em busca de patrocinadores (a Petrobrás bancou de 2000 a 2013, período em que o Cine Odeon virou Odeon BR), Sá Leitão planeja levar para lá estreias nacionais e internacionais, encontros com diretores e palestras. Ele também quer firmar parcerias com instituições culturais da região – entre os vizinhos, estão o Teatro Municipal e o Museu Nacional de Belas Artes.

A falta de opções para o espectador de fim de semana que busca o programa combinado que os cinemas de shopping oferecem (filme, passeio, alimentação) é um desafio. Assim como o esvaziamento do centro aos sábados e domingos e a insegurança (assaltos na área são constantes). O fato de haver estacionamento (privado) grande e estação de metrô em frente são facilitadores.

O Rio tem 16 cinemas de rua, o dobro de São Paulo (sem contar as salas especiais paulistanas). Já foram quase 200, há 50 anos. “Infelizmente, não há futuro para o cinema de rua. O que há são adaptações, reinvenções, como o Odeon está tentando. Principalmente quando é uma sala só”, disse Paulo Sergio Almeida, fundador da Filme B, empresa que analisa o mercado cinematográfico brasileiro.

Créditos: Estadão