Personalidades do Rio – Waldir Azevedo, o mestre do cavaquinho

Waldir Azevedo

Waldir Azevedo foi um músico e compositor carioca, mestre do cavaquinho e autor do choro “Brasileirinho”.Transformou o cavaquinho em destaque como instrumento de solo, explorando de forma inédita as potencialidades do instrumento.

Waldir Azevedo nasceu em uma família pobre, no dia 27 de janeiro de 1923, no bairro da Piedade, Rio de Janeiro. Passou a infância e a adolescência no bairro do Engenho Novo. Ainda criança, manifestou interesse pela musica, ao adquirir uma flauta transversal aos sete anos de idade, depois de juntar dinheiro capturando passarinhos e vendendo-os.

No carnaval de 1933, aos 10 anos de idade, apresentou-se em público pela primeira vez, como flautista, tocando “Trem Blindado”, de João de Barro, no Jardim do Méier.

Já adolescente, conheceu um grupo de amigos que se reunia aos sábados para tocar e, por influência deles, acabou por trocar a flauta pelo bandolim. Pouco tempo depois trocou o bandolim pelo cavaquinho, instrumento que deixou de lado quando o violão elétrico ganhou projeção no Brasil.

Waldir sonhava ser piloto de aviões, mas problemas cardíacos o impediram de realizar seu sonho, e ele acabou empregando-se na companhia elétrica do Rio de Janeiro, a Light, até que em 1945, aos 22 anos, enquanto passava a lua de mel na cidade de Miguel Pereira, recebeu um telefonema de um amigo avisando de uma vaga no grupo de Dilermando Reis, em um programa da Rádio Clube do Brasil. Tocou no grupo durante dois anos, após o que acabou assumindo sua liderança, com a saída de Dilermando em 1947.

Durante a década de 1950 fez grande sucesso com composições como “Brasileirinho”, “Pedacinhos do Céu”, “Chiquita” e “Vê Se Gostas”, e as composições de Waldir o projetaram internacionalmente. Compôs junto com Aloísio de Oliveira o baião “Delicado”, gravado por Carmen Miranda em 1954.

Durante 11 anos viajou com seu conjunto por países da América do Sul e Europa, incluindo duas viagens patrocinadas pelo Itamaraty na Caravana da Música Brasileira. Suas composições tiveram gravações no Japão, Alemanha e Estados Unidos, onde Percy Faith e sua orquestra atingiram a marca de um milhão de cópias vendidas com uma gravação de Delicado. Waldir chegou a participar de um programa na BBC de Londres, transmitido para 52 países.

Em 1964, com a morte precoce de sua filha Miriam, afastou-se da música. Mudou-se para Brasília em 1971, aos 48 anos, onde sofreu um acidente com um cortador de grama que quase resultou na perda de seu dedo anular. Em decorrência do acidente, foi forçado a ficar sem tocar por um ano e meio. Após cirurgias e fisioterapia, recuperou-se e voltou a gravar.

Waldir Azevedo faleceu em 21 de setembro de 1980, poucos dias antes de começar as gravações de um novo álbum.